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Única revista portuguesa de Arte Floral & Jardins

Edição de Outubro/Novembro de 2007 - Ano XI - Nº 64

Jardins

Poda de árvores de jardins

 

Com o fim do Verão, é agora tempo de nos dedicarmos à poda de Inverno. Neste número trataremos da Poda de Formação, uma forma de evitar muitos dos problemas que as árvores trazem e que geralmente são solucionados de forma drástica. Trata-se, pois, das regras que orientam a árvore desde a sua juventude. Eliminação de bifurcações/reconstituição da flecha

 

Objectivos

 

1 - Favorecer o desenvolvimento do caule sobre um eixo principal, para se conseguir uma estrutura em porte natural, sólida e equilibrada.

 

2 - Esta poda de formação só pode ser feita com coerência em plantas opriginariamente com a flecha bem formada. Portanto, atenção quando se adquirem as árvores para plantar.

Normalmente, há o hábito de cortar o ápice às jovens plantas, para que elas ramifiquem imediatamente e tenham, desde cedo, a aparência de adultas. Isto tem como consequência uma deformação do porte natural da árvore, com a formação de bifurcações precoces que poderão trazer problemas no futuro.

 

3 - Há também que ter em conta que a condução de uma árvore em porte natural pressupõe que lhe reservemos um espaço condigno no nosso jardim. Se não o possui, então é preferível escolher um arbusto, uma árvore de pequeno porte ou, em alternativa, conduzi-la em porte artificial.*


 

Alcachofra - força & sedução

 

Desde tempos imemoriais que o Homem, atendendo à sua necessidade de preservação da espécie e satisfação da sua libido, recorre aos mais diversos meios de modo a incrementar a sua fertilidade e a rejuvenescer a sua performance sexual. Assim, o recurso a afrodisíacos sempre foi uma prática constante. A alcachofra, desde tempos imemoriais, consta da lista de afrodisíacos mais apreciada pelo homem. Os gregos e os romanos acreditavam mesmo que a sua ingestão frequente desta delicada planta assegurava o nascimento de crianças, em especial do sexo masculino.

 

Originária do Sul da Europa, da região mediterrânea e Norte da África, é uma planta de aproximadamente 1 metro de altura. As suas folhas compridas, verde-acinzentadas, formam um tufo de dois metros de largura. As hastes rectas surgem no centro da folhagem, sustentando a alcachofra. Mas o grande destaque são as flores azuis, deslumbrantes, de belíssimo efeito ornamental, que desabrocham sobre a parte comestível, chamada "fundo".

O nome Cynara vem do latim canina, referindo-se à semelhança dos espinhos que a envolvem com os dentes de um cachorro.

 

De acordo com uma antiga lenda grega, glorificada nas odes de Horácio, a primeira alcachofra surgiu de uma bela jovem, de nome Cinara, por quem Zeus se apaixonou. Certo dia, quando visitava o seu irmão Poseidon, ao sair das águas do mar, avista a bela jovem. Como esta não aparentasse qualquer receio face à sua presença, aproveitou a oportunidade para a seduzir. E fica tão encantado com a jovem que a eleva à condição de deusa, de modo a que esta possa viver mais próxima de si, no Olimpo. Cinara concorda e Zeus aproveita todos os momentos de ausência da sua esposa Hera, para com ela se encontrar.

 

No entanto, Cinara, com o passar do tempo, fica cheia de saudades do seu mundo terreno e da sua casa. Assim, um dia escapa-se para o mundo dos mortais, numa breve visita. Ao regressar, encontra Zeus furioso com o comportamento tão pouco apropriado a uma divindade e enraivecido, expulsa Cinara do mundo dos deuses, devolvendo-a à terra, mas sob a forma de uma planta que hoje conhecemos como alcachofra (cynara scolymus).

 

A beleza e o encanto que seduzi­ram Júpiter esconderam-se, assim, entre as pétalas em botão, num coração tenro e sucu­lento, que desde então passou a deliciar os sentidos de todos aqueles que sabem a sabem apreciar. As notícias sobre a alcachofra remontam a tempos muito antigos. Teofrasto, sucessor de Aristóteles na escola peripatética, foi o primeiro a referir-se a esta planta, afirmando que esta crescia em Itália e na Sicília. Pedáneo Dioscónides, autor greco-romano, considerado o fundador da Farmacognosia, no século I d.C., também faz referências à alcachofra.

 

Os romanos abastados conservavam a alcachofra em azeite, vinagre e cominhos de modo a que esta pudesse ser consumida durante todo o ano. Por volta do ano 800, os mouros introduziram o cultivo da alcachofra no sul da Península Ibérica. Aliás, o nome comum da planta provirá da designação árabe “al’qarshuf”. Após a queda de Roma, quase desapareceu, mas voltou a emergir por volta de 1466, altura em que uma família italiana a trouxe para Florença e Nápoles, generalizando-se depois ao resto da Europa.

 

Entre os anos 800 e 1500 é provável que o cultivo tenha sido aperfeiçoado nos jardins dos mosteiros, dando origem à planta que hoje conhecemos. No século XVI, Catarina de Medicis, ao casar com Henrique II, introduz a alcachofra em França. Os emigrantes europeus são os responsáveis pela chegada ao continente americano desta planta que desde sempre foi considerada como afrodisíaca e como tal o seu consumo era vedado às mulheres.

 

Johann Wolfgang Goethe, poeta e dramaturgo alemão, no seu livro dedicado às suas viagens por Itália, rejeita o consumo deste vegetal, afirmando que os camponeses comiam espinhos, algo que ele jamais faria. Para além das aplicações gastronómicas, a planta, desde a Idade Média foi muito usada também no preparo de uma tinta para teci­dos de lã e algodão. Na França e Espanha do século XVIII as flores secas da alca­chofra serviam para coalhar o leite.

 

Ainda neste século, foram atribuídas à alcachofra várias propriedades medicinais, confirmadas no início do século XX, quando trabalhos de vários médicos demonstraram sua importância nas afecções hepatobiliares. Assim, são atribuídas várias propriedades medicinais à alcachofra são, a saber, a diurética, a digestiva, nos distúrbios hepáticos e na prevenção da arteriosclerose.

 

É recomendável a sua inclusão na dieta dos diabéticos, e das pessoas que sofrem de anemia e raquitismo. Para os asmáti­cos, é indicada a mistura de suco de alcachofra com suco de limão. Para os hemofílicos, a receita é constituída pelo sumo de alcachofra e de cebola.

Maria de La Salete Carrilho 

 

* Leia a matéria completa na edição 64

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