Revista Arte, Flores & Jardins - Única revista portuguesa de Arte Floral & Jardins

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Única revista portuguesa de Arte Floral & Jardins

Edição de Outubro/Novembro de 2004 - Ano VIII - Nº 46

Decoração & Ramos

A identidade da arte floral holandesa

 

Nos arranjos decorativos, que publicamos neste número, predominam o “lilium” e a “tulipa”, entre outros elementos florais decorativos que se entrelaçam para dar maior consistência e harmonia às respectivas composições.

Entre elas, a integração da jarra e do bébé, a jarra pousada na mesa, onde duas taças aguardam que o calor humano, cheio de ternura, comemore qualquer efeméride feliz. Evento que pode ser uma data inesquecível, uma declaração imprevista, uma boa notícia, um aniversário carregado de recordações e um número infindável de sentimentos, onde sobressai a adesão de um toque profissional de requinte e um gesto de bom gosto.

Aqui, também as flores naturais estão presentes com o arranjo especial da técnica holandesa e à qual a nossa revista tantas vezes presta homenagem na medida em que a sua arte tem qualquer coisa que se comunica à nossa própria maneira de ser e de estar na vida, quando escutamos na alma o sentir do mundo das flores.

A identidade portuguesa gosta da cor, das motivações, e, sobretudo, de satisfazer  o desejo daqueles que procuram as flores como a ponte privilegiada para alegrar a nossa vida, convite irrecusável ao refúgio de um breve cântico feliz, embora por vezes triste, pois nesta contemplação da arte floral  também cabe a nossa dor e a nossa saudade.        

É por isso que estes arranjos decorativos holandeses se identificam com o nossa maneira de ser, com a nossa vivência, porque estão cheios de mensagens intimas e ensinam-nos a gostar ainda mais das flores, pois são as flores que também comemoram a alegria dos nossos momentos de maior felicidade e atenuam a tragédia dos nossos maus momentos. 

 

 

Técnica e qualidade de grandes profissionais

 

Eis um conjunto arranjos naturais/frescos de ramos de mão, centros de mesa e uma composição efectuada num cesto, que, no seu conjunto, servem de indicativo para as nossas floristas recriarem o seu próprio gosto e sempre que possível identificarem-se com o desejo manifestado pelo cliente quando se trata de uma encomenda. O saber aconselhar o cliente nestes casos é sempre muito importante.

Os arranjos florais naturais/frescos, além da utilização de uma grande variedade de espécies, conforme a época sazonal, permitem alcançar um elevado índice de arte floral, graças aos vários demonstradores que, neste conjunto de trabalhos, revelam  a técnica e a qualidade de grandes profissionais. 

Uma florista com formação floral deve ter sempre no seu horizonte os potenciais clientes, nunca perdendo de vista os principais interesses do mercado e daqueles que recorrem aos seus serviços.

A montagem da loja deve primar pela apresentação de arranjos frescos de requintado efeito estético a fim de valorizar a montra que, na maioria dos casos, é sempre um cartão de apresentação para os potenciais clientes que, quando são bem atendidos, voltam sempre.

Em cada caso é sempre imprescindível ter uma ideia que agrade ao cliente, indo ao encontro do seu gosto e daquilo que ele pretende.

Esta capacidade de interpretar os desejos da clientela, aliada à técnica e ao profissionalismo criativo, permite à florista manusear com leveza e eficiência os arranjos florais frescos, aproveitando a sua beleza e elasticidade para conseguir obter algo de original, cheio de requinte e qualidade.

Os arranjos naturais/frescos, que publicamos neste número, merecem, sem dúvida, o nosso aplauso pela ligação das cores e das variadas formas apresentadas que vão, sem dúvida, enriquecer a sensibilidade e os conhecimentos das nossas floristas. Um dos grandes objectivos da publicação destes arranjos é também incentivar a reciclagem da formação bem como fomentar o interesse pela formação profissional a todos os que iniciam esta aliciante carreira no mundo das flores. 

 

 

Desenvolver o gosto criativo da florista

 

O desenvolvimento tecnológico das flores artificiais e flores naturais secas, com o aproveitamento de novos materiais e de objectos decorativos de desenho moderno trouxe ao mundo das flores uma nova visão, mais etérea e prolongada no tempo, desenvolvendo o gosto criativo da florista e atraindo às lojas uma nova clientela.

Trata-se arranjos que enfeitam com maior assiduidade as casas e permitem, embora como sucedâneos das flores frescas, obter belos efeitos florais.

No caso concreto, apresentamos quatro vertentes muito singelas e muito requintadas de arranjos naturais secos e artificiais que podem enfeitar as nossas casas, desde que estes arranjos sejam colocados em lugares aprazíveis, principalmente em mesas e balcões, onde podem ser apreciados.     

A utilização de materiais baratos é aconselhável, salvo se for para situar o arranjo num lugar de maior cerimónia, pois o recurso a estes materiais não retira ao arranjo natural seco a sua excelência, na medida em que o mais importante é a qualidade estética e o gosto criativo da florista que dá vida a estes arranjos.

Qualquer destes arranjos naturais secos e artificiais, que trazemos à colação nas nossas páginas, revelam a presença de uma grande profissional de flores que sabe sensivelmente do seu ofício. 

 

 

Ronda das Galerias

 

A «Linguagem Secreta» de Candeias Maria

 

Os trabalhos de Maria Candeias, que têm estado em exposição na Cooperativa dos Artistas de Gaia, vêm confirmar uma carreira artística, cheia de propostas e de variadas sequências temáticas como resultado de uma exemplar criatividade  e de uma técnica oficinal digna de registo.

Quando visitamos uma mostra pictórica desta pintora colhemos sempre agradáveis experiências.

É como diz Salomé de Carvalho no catálogo: «Maria Candeias tem sempre uma palavra a dizer, uma mensagem surpresa  em cada trabalho; possui o espírito livre que viaja incessantemente e partilha connosco os resultados dessas aventuras a sua gramática requintada. de simplicidade aparente, plena de significado. A arte segue o seu caminho, como a própria vida se debate coma aridez do deserto.

Desta vez, a linguagem secreta de Candeias apresenta eloquentes signos de uma grande força telúríca que podem ser estilizados pássaros, luas e sóis, em paisagens de intensos vermelhos ou de azuis aveludados, destacando  ainda sóbrios contornos cromáticos, circulares, pontualistas e de um alargado gestualismo, que são verdadeiros sinais de uma linguagem outra, cujo misterioso imaginário só a artista sabe compreender.

E terminamos com a análise Salomé de Carvalho: O seu trabalho mais recente apresenta uma ruptura significativa na linguagem formal, em que o carácter onírico se sobrepõe como essencial numa busca de arquétipos universais.

 

 

António M. Silva: Um lirismo fascinante

            

Aguarelista desde 1986, António M. Silva, natural de Arcozelo, Vila Nova de Gaia, tem-se dedicado preferencialmente à aguarela e revelado uma excelente paisagística das zonas ribeirinhas do Douro, Porto e Gaia, imprimindo uma beleza fluída e suave nos seus trabalhos. Os encantos da Torreira também têm estado na objectiva do pintor.

A sua última exposição,  na Galeria Daniel Constant, em Gaia, constituiu um êxito artístico, pois foi possível verificar que o pintor consegue alcançar soluções e diversificações que nos indicam estar em presença de um aguarelista de enorme força anímica e de uma estética que domina os encantos da paisagem.

A paisagística urbana e fluvial da Ribeira e da Torreira já não tem segredos para António M. Silva que pratica um lirismo fascinante, transmitindo ao observador verdadeiras melodias cromáticas. Leveza de azuis, amarelos e verdes, o sombreado dos castanhos e os alargados ou escondidos horizontes da sua paisagem são atributos das suas aguarelas. Estas têm um suporte de boas perspectivas, alcançando instantes sublimes, com surpreendentes efeitos de luz e estranhas neblinas. Os seus espaços engrandecem a natureza.

 

 

Jorge do Carmo na Maria Manuela

 

Natural de Viseu, o aguarelista Jorge do Carmo não resistiu à tentação de pintar o Porto e a Ribeira, Póvoa do Varzim, trazendo também no seu espólio artístico paisagens de Viseu, trabalhos que expôs na Galeria de Arte Maria Manuela, em Gaia.

Aqui temos um pintor autodidacta, cujo formalismo tem qualquer coisa de ingénuo, mas de excelente perspectiva urbana. O cromatismo é transparente de luminosidades, arrancando, assim, surpreendentes efeitos nos seus trabalhos.

Este artista tem realizado um trabalho estético digno de registo, dentro do sector da pintura documental, estando representado em várias instituições do país e do estrangeiro.

 

 

Escultor Melício na Ordem dos Médicos Mestre do hiper realismo em bronze

 

Quase não é necessário falar da obra do mestre escultor Melício porque a reportagem fotográfica é suficientemente eloquente para sentirmos que estamos na presença de um grande escultor. A expressividade das personagens é de uma intensa força anímica e de uma profundidade que fecunda o cerne da leveza do ser, cuja  projecção cosmológica se repercute numa atitude espiritual que é antevisão de um mundo novo em que a harmonia, o amor e a paz tendem a ganhar um novo sentido.

A sua vasta obra e o seu reconhecimento institucional, principalmente no estrangeiro, coloca-o no cume dos grandes escultores do figurativismo modernista, na modalidade do hiper realismo. Sem dúvida, o seu trabalho honra os belos jardins da Ordem dos Médicos, na cidade do Porto. Esta instituição tem vindo a desenvolver um excelente trabalho na divulgação da cultura plástica, em pintura, escultura e fotografia.

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