Revista Arte, Flores & Jardins - Única revista portuguesa de Arte Floral & Jardins

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Única revista portuguesa de Arte Floral & Jardins

Edição de Fevereiro/Março de 2005 - Ano VIII - Nº 48

Reportagens

DEMONSTRADORA SANDRA TAVARES

Procuro dar sempre o melhor de mim mesmo!

 

Quem tem desenvolvido com êxito a sua actividade artística na área floral, depois de 11 anos de experiência e aquisição permanente de conhecimentos, é a demonstradora Sandra Tavares, ou seja Sandra Claudina Sousa Tavares, que durante o ano passado foi convidada a fazer demonstrações nas grandes empresas de Comércio e de Flores. Sandra Tavares, de 31 anos, vive no Lugar do Seixal, em Arrifana, onde desenvolve no “atelier” a sua actividade floral e formativa, havendo muito a esperar da sua juventude e do seu talento artístico. É uma demonstradora e artista que nos diz simplesmente: «Procuro dar sempre o melhor de mim mesmo!»

 

AFJ – Quais os projectos que tem e vista para este novo ano?

ST – Neste momento projecto desenvolver a formação floral, indo assim ao encontro das aspirações e necessidades daqueles que querem aprender a desenvolver a arte floral nos seus aspectos técnicos e profissionais.

Entre outros objectivos, alguns muito importantes, vou lançar junto dos meus formandos novas tendências florais que periodicamente se implantam no nosso meio artístico.

 

AFJ – Qual a iniciativa mais importante a executar?

ST – A ideia fulcral da minha actividade vai passar a incidir especialmente sobre serviços prestados a clientes de grandes espaços, onde se incluem restaurantes, quintas, andores, Igrejas e outras instituições, como fundações e entidades que organizam congressos e cuja ornamentação será da responsabilidade dos meus serviços.

Julgo que estas áreas são fundamentais à prática artística de uma aplicação floral mais exigente e que só pode ser requisitada por clientes especiais, dada a sua qualidade, a sua excelência e o seu maior custo.  

Cabe ainda nestes serviços prestados a decoração floral de grandes armazéns e lojas que, em épocas sazonais nos diferentes ramos comerciais, apresentam as suas novas colecções. É uma prestação de serviços personificada e que em inglês se costuma chamar Show-room

 

AFJ – Que actividade tem maior incidência na sua Arte Floral?

ST – Desde o início da minha actividade artística a maior aposta tem sido uma dedicação total à formação permanente, ao desenvolvimento da minha criatividade, principalmente na concepção de arte plástica com motivos florais, onde a comunicação exótica e abstracta alcança formas ideais de profundo pendor expressionista em função dos materiais utilizados.

 Na realidade, aproveito a beleza dos materiais e das esculturas da natureza para criar obras únicas de efeito contemporâneo, partindo quase sempre de uma realidade envolvente para atingir uma abstracção de harmonias e de equilíbrios estéticos. *

 

 

 

Voz da Florista

Arminda Quadros: Flores e poesia são a minha vida!

 

«Para mim, flores e poesia são a minha vida. E mesmo aquelas que têm espinhos, como a rosa, na sua essência continuam ser uma realidade que conquista a minha alma», disse-nos Arminda Quadros, que possui a sua loja na Rua Pádua Correia, em Vila Nova de Gaia.

Maria Arminda Quadros foi professora de Educação Visual e Tecnológica e fundou há cerca de 8 anos a sua loja de flores frescas que denominou «Bem-me-Quer». Embora com um curso superior, os contratos a prazo na área do ensino obrigaram-na a optar por abrir uma loja de decoração e de flores, negócio onde consolida a sua sensibilidade e criatividade.

Lidar com flores, ler e criar poesia, passou a ser uma forma de estar na vida.

 

AFJ – Como vai o negócio das flores?

AQ – Não me posso queixar, mas há cerca de quatro anos o negócio esteve bem melhor. Infelizmente as medidas económicas em curso tiraram o poder de compra a muitos portugueses à medida que o custo de vida tem vindo a aumentar. Este facto reflectiu-se na descida do número de encomendas o que me impede de dar maior feição artística à minha criatividade. A regra são as encomendas de ramos pequenos que eu trabalho como se estivesse a fazer um ramo de maior porte, mas não é a mesma coisa.

 

AFJ – Costuma a fazer inovações nos seus arranjos florais, utilizando novos materiais?

AQ – Procuro sempre acompanhar as inovações da moda e a utilizar, sempre que possível, novas técnicas e materiais. No entanto, procuro ir ao encontro do desejo da clientela e, na realidade, principalmente a mais tradicional, nem sempre recebe com bons olhos as inovações. Trata-se, portanto, de uma minoria de clientes que deseja outro género de trabalho. Com o tempo, já aprendia a conhecê-los. Para estes continuo a fazer arranjos florais sem grandes inovações, razão por que consigo manter a fidelidade de todos os clientes, que, deste modo, saem sempre satisfeitos com o trabalho que faço.

 

AFJ – Na sua carreira floral houve algo que lhe deu prazer criar?

AQ – Lembro-me de um cliente que queria celebrar um dia de amor especial com a sua amada, procurando surpreendê-la de uma forma poética e romântica. Aconselhei-o, então, a comprar rosas vermelhas, a desfolhá-las, cobrindo o chão de pétalas, desde a entrada da casa até quarto, colocando lateralmente velas vermelhas de forma criar com a sua iluminação um ambiente de sonho e paradisíaco. Podemos assim imaginar com as flores as mais belas histórias de amor. *

 

Muitas vezes somos tão felizes que até perguntamos:

Será Verdade?, como sucede neste poema de Arminda Quadros:

 

Amor, vem na aurora da manhã/

Amanhecer em mim. / Quero sentir o teu perfume/ A tua pele macia / Tocar em mim./

Será verdade, amor? /

Que nasceste em mim/ Porque te quero/ Contigo sentir/ O embalo em mim. /

Será verdade, amor? /

Este amor não terá fim! 

 

 

* Leia a entrevista completa na edição 48

Webdesigner: Régis Coimbra

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