Revista Arte, Flores & Jardins - Única revista portuguesa de Arte Floral & Jardins

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Única revista portuguesa de Arte Floral & Jardins

Edição de Agosto/Setembro de 2004 - Ano VII - Nº 45

Reportagens

Vila de Murça: Terra dos Encantos!

 

Terra dos Encantos, também conhecida pela «Porca de Murça», ex-libris, no seu contexto histórico e patrimonial, é Murça, Vila do distrito e diocese de Vila Real, sem dúvida, o ponto mais setentrional da Região Demarcada do Vinho do Porto.

Com belos jardins públicos e rotundas floridas, Murça possui a Igreja Matriz (séc. XVIII), a Igreja da Misericórdia, com uma fachada que a distingue pelo seu conteúdo estético, e ainda muitas outras referências turísticas, designadamente a Fonte Velha (Romana). Os solares dos Morgadinhos e dos condes de Murça, as moradias do mestre universitário Frei Diogo de Murça (século XVI) e do cardeal-patriarca de Lisboa D. Inácio de Morais Cardoso.   

O turista, além de poder apreciar uma paisagem vinícola única, com a plantação por sucessivos anfiteatros, pode subir ao miradouro no Alto do Pópulo para daí vislumbrar uma visão paradisíaca. Se se deslocar a Noura, poderá ver as ruínas de povoações castrejas.   

Finalmente, poderá ainda ver as nascentes de Candedo, o castelo de Toucarota e os castros de Vale de Mel.

Não se esqueça de fazer uma visita às Caves de Murça, com o símbolo da  «Porca», e  cujo vinho de qualidade poderá apreciar. No presente, a Adega Cooperativa de Murça conta com 890 associados  que representam mais de 70 por cento da vinha existente. 

Ainda dentro da mesma rota de apreciação dos produtos agrícolas, vá também à Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça, onde tomará contacto com um azeite genuíno e de grande qualidade.

 

 

Figueiró dos Vinhos: Viveiro de flores e paisagens naturais!

 

A quarta edição do concurso «Figueiró mais Florido 2004», um autêntico viveiro de flores, foi um sucesso floral que envolveu mais de uma centena de participantes espalhados  por cinco freguesias do concelho, mobilizando a população a promover as   flores, espalhadas por janelas canteiros e muros, varandas e jardins.

Fica na nossa memória a agradável recepção do presidente da Câmara, Dr. Fernando Manata, e das gentes de Figueiró dos Vinhos bem como o acompanhamento do vereador Fernando Baptista aos elementos do Júri do qual fez também parte, o jornal «A Comarca», uma represente da Região de Turismo do Centro, a revista «Arte, Flores e Jardins» entre outras entidades. O júri percorreu as freguesias de Figueiró de Vinhos, Aguda, Arega, Bairradas e Campelo, apreciando o trabalho floral desenvolvido pelas suas populações que, em 1998, conseguiram arrancar para a sua terra a medalha de prata do «Concurso Europeu Cidades e Vilas Floridas.

O júri, constituído por elementos convidados pela Câmara Municipal, premiou, na freguesia de Figueiró dos Vinhos, Maria Cândida Mendes, na modalidade de janela, Alfredo Jesus Quintas, em canteiro/muro, Lucilia Lucas Prior, em varanda, e Jorge Telhada Lopes, em Jardim. Receberem ainda prémios, na freguesia de Aguda, Maria Alice Duarte Pires, na modalidade de canteiro/muro, Zamira Teixeira Jorge, em varanda, e Célia Maria Bento, em Jardim; na freguesia de Arega, Deolinda da Conceição Borges, em canteiro/muro, Fernanda Neves Santos, em varanda.

 

 

Carlos Alberto: “O trabalho floral é um acto de criação!”

 

“Fujo de me repetir, porque quero sempre fazer algo de novo que seja intrinsecamente meu. O trabalho floral é um acto de criação!” – afirmou a «Arte, Flores e Jardins» Carlos Alberto, um técnico especializado na demonstração e formação de arte floral.

O demonstrador Carlos Alberto está inserido no mercado das flores há mais de 18 anos no mercado de flores. tendo iniciado a sua carreira na «Casa Orquídea», pertencente  a sua irmã, em S. João da Madeira.

Nesta cidade adquiriu a sua independência, montando, no Lugar do Seixal, um atelier para ensino de técnicas de arte floral e para criar os seus próprios painéis. Além das demonstrações que faz nas empresas de armazenamento e distribuição de flores e de material de decoração, dá ainda formação floral no seu atelier, trabalhando actualmente com 17 formandas.

 

AFJ – Qual o maior objectivo na formação profissional de floristas?

C. A. – Quando trabalho com as minhas formandas, além da teoria, insisto principalmente na prática e no desenvolvimento técnico para que possam montar ou trabalhar em qualquer loja de flores. Dou-lhes algumas ideias e procuro despertar nelas a sua personalidade profissional. Esta aprendizagem vai assim ao encontro de uma verdadeira formação que faz escola e motiva em cada uma delas a sua própria independência.

 

AFJ – E como trabalha nas empresas quando é convidado para as demonstrações temáticas?

C. A. - Cada demonstração nas empresas, para onde sou convidado, é feita em função de um plano previamente traçado e relacionado com o tema proposto que pode ser noivas, namoradas, dia da mãe, fiéis, arranjo de altares, Páscoa, Natal, etc.

Todas estas temáticas são desenvolvidas e propostas, conforme a época sazonal e a necessidade de divulgar composições florais de acordo com os objectivos da empresa contratante, tendo em vista apresentar e divulgar junto dos profissionais de flores novos materiais e novas colecções. 

 

AFJ – O que é para si a arte floral?

C.A. – A pergunta é muito complexa porque depende da formação e escola de cada formador, embora em teoria existam alguns pontos comuns. Do meu ponto de vista, a arte floral é uma técnica em permanente renovação, acompanhando o melhor possível a introdução no mercado dos novos materiais. Qualquer florista, que queira estar actualizada e servir bem a sua clientela, tem de assistir às demonstrações das empresas, acompanhar as revistas e livros da especialidade, estar presente nos grandes armazéns florais, onde se organizam as demonstrações temáticas. Tudo isto é o grande mundo da arte floral, feito de grandeza, criatividade e sonho.

No entanto, quando falo de arte floral, sinto uma grande responsabilidade, pois é aquilo a que chamo o toque mágico do artista e que dá alma à originalidade da composição. É algo que não se volta esteticamente a repetir, precisamente porque traduz um momento único de criatividade. O efeito conseguido, tão depressa não se vai repetir. Pode fazer-se parecido, mas nunca igual. Assim, fujo de me repetir porque quero fazer sempre algo de novo que seja intrinsecamente meu. O trabalho floral é um acto de criação! Numa só palavra: gosto de criar! Resta-me o privilégio de ter sentido a emoção da beleza que criei e, quando é fotografada a composição, sinto-me de algum modo compensado porque recordar é também viver.

 

AFJ – Quais são as suas flores preferidas para trabalhar?

C. A. – A rosa é a minha flor preferida, carregada de símbolos, cheia de estética, das mais variadas cores e ainda muito perfumada. Com estes predicados naturais consigo apresentar as mais diversas criações florais onde impera a beleza. Existem também outras flores, que pela sua maleabilidade, gosto de trabalhar, designadamente jarros, tulipas, antúrios, ranunculos e outras espécies moldáveis.

Gosto imenso de flores. É o meu fabuloso mundo! As flores são como as mulheres! Temos de as tratar com imensa delicadeza e respeito para que elas refuljam com mais beleza e as suas almas sejam gémeas da nossa própria alma.

 

 

Ovar : VIII Feira da Flor para preservar a natureza e o ambiente.

 

Desde há oito anos que a Feira da Flor em Ovar é promovida por iniciativa da cidade, do Presidente da Câmara e da Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral, visando, sobretudo, alertar e sensibilizar para a necessidade de preservar a natureza e o meio ambiente.

A iniciativa faz depender, assim, deste importante objectivo o desenvolvimento sustentado e equilibrado da cidade e da região como garantia de uma vida de qualidade para as populações.

A vertente comercial esteve também patente nesta feira da Flor em Ovar, que se realizou em 6 de Junho, na Praça da República, em frente à Câmara Municipal, acrescida de uma vertente cultural e animação próprias, nomeadamente Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar, Grupo Infantil e Juvenil da Paróquia S. Cristóvão de Ovar, classe juvenil da Escola de Música Oliveira Muge e ainda actuação musical do conjunto típico «Os Marinheiros de Ovar».

Nesta feira, como é habitual, estiveram presentes imensos floricultores que animaram com sua presença o certame.

 

 

Voz da Florista: Aurora Machado, as flores são delicadas!

 

É preciso saber lidar com as flores, ter muito tacto, pois as flores são delicadas e parecem-se com as crianças. É por isso que gosto tanto das flores como das crianças, afirmou Aurora Machado, que tem a sua loja «Cantinho de Flores», na Avenida 25 de Abril, em Famalicão.

AFJ - As flores e as crianças estão assim ligadas ao «Cantinho de Flores», cabendo inteiramente no seu coração...

AM – É verdade, porque ambas são seres muito sensíveis e, quando não estimadas, estragam-se facilmente. Penso que as flores e as crianças fazem parte do Grande Jardim Universal da Humanidade.

Na minha loja, como há um infantário próximo, passam muitas crianças que adoram as flores. Vejo-as tão felizes, que, de vez em quando, lá levam uma flor. As crianças e as flores são realmente companheiros inseparáveis.

AFJ - Como começou a sua carreira de florista? 

AM - Exerço esta profissão há 13 anos, tendo começado como empregada aos 16 anos e adquiri esta loja aos 19 anos. O «Cantinho de Flores» é o lugar onde cresci, primeiro como empregada e depois como dona. Era, então, a florista mais nova estabelecida no mercado. 

AFJ – Como fez a sua formação profissional?  

AM — Fiz uma aprendizagem permanente à custa do meu esforço e trabalho. Assim, comprava revistas e livros da especialidade, ia às demonstrações e observava os novos materiais para estar sempre actualizada. A minha profissionalização passou pela criatividade e foi-se consolidando ao longo destes anos de muito trabalho e hoje, graças à experiência adquirida, sou também formadora pedagógica de Arte Floral.

AFM — E em que género de formação pedagógica está envolvida?

AM – Neste momento faço formação a 17 alunos na Câmara Municipal, com a colaboração da Direcção Regional de Educação do Norte, sediada em Braga.

A minha formação pessoal foi completada com o curso de Formação Profissional de Decoração de Interiores, habilitando-me deste modo a trabalhar com os empreiteiros, designadamente na escolha dos azulejos, do tipo de iluminação, escolha de mobiliário, cortinados até dos arranjos florais, onde também sou especialista. A casa em raiz é, assim, totalmente decorada, indo ao encontro do interesse da clientela mais exigente.  

AFJ - Que profissão gostaria de exercer se não fosse florista?

AM — Agora que sou florista não me estou a ver noutra actividade profissional, tanto mais que gosto muito de arte floral e de decoração. Aos 16 anos queria ser educadora de infância, mas, quando comecei a trabalhar as flores, descobri que estava na profissão certa, desenvolvendo a minha criatividade e ao mesmo tempo descobrindo que as flores são como as crianças.

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