Revista Arte, Flores & Jardins - Única revista portuguesa de Arte Floral & Jardins

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Única revista portuguesa de Arte Floral & Jardins

Edição de Abril/Maio de 2005 - Ano VIII - Nº 49

Decoração & Ramos

Arranjos secos

por: Maria José Duarte *

 

 

 

 

Ikebana: arte milenária japonesa

 

A partir deste número apresentamos a colaboração de Marri sobre a Ikebana.

E o que é a Ikebana?

A Ikebana é a arte milenária japonesa da composição floral. Provém de uma antiga tradição que tinham os budistas chineses de fazer ofertas florais a Buda (Deus dos chineses)

 

Como nasceu?

Foi durante o século VI que os missionários chineses foram ao Japão dar a conhecer esta arte. A partir daí até ao século XV, a Ikebana manteve a sua condição de oferta divina , mas foi perdendo com o tempo as suas conotações religiosas porque esta arte foi dando muitas voltas. Enquanto, no início, Ikebana consistia numa oferta floral sensível (inclusive, por vezes, só se ofereciam as pétalas das flores, como na Índia), começou-se depois a embelezar um pouco mais a oferta das flores, incluindo elementos como recipientes e outras coisas mais.

Em que se baseia?

A Ikebana baseia-se na harmonia de uma simples construção linear com flores e elementos que a própria natureza nos oferece.

 

As escolas

Ao longo dos séculos multiplicaram-se as escolas de Ikebana, com as suas características e vontades.

A 1ª escola foi a do japonês Ono No Imoko , conhecida como Ikebana, criada no princípio do século VII.

O seu criador teve a oportunidade de ir três vezes á corte do Império da China. Quando se retirou, converteu-se em guardião do mosteiro budista Rokkaku-Do e mais tarde em abade, passando a chamar-se Semmu (fidelidade ao dever), hospedando-se numa pequena casa chamada Ike-bo-no (casa do Lago). Daí nasceu o nome da Escola.

Das suas viagens à China aprendeu a arte de ofertas florais, aspecto que aproveitou para aperfeiçoar na sua estadia em retiro e estabelecer as primeiras normas. A partir daí surgem escolas que vão tendo as suas características, simbologias e mais detalhes. Os materiais que se usam para a elaboração destas composições são flores, folhas, cereais, ramas, sementes, frutas, vegetais, etc. (estes elementos podem ser vivos, secos ou artificiais).

 

O desenho:

Outro aspecto importante no Ikebana é o desenho. As partes mais importantes do desenho são a cor, a forma, a textura e a linha. A cor e a forma são dadas pela própria natureza do elemento escolhido, no entanto, com a criação de novas escolas modernas, a referida natureza pode modificar-se: por exemplo, a textura pode ser determinada pela superfície dos materiais usados e a linha pode ser expressada pelas ramas que tenha a dita composição. Todos estes detalhes são imprescindíveis para fazer uma boa obra de Ikebana.

 

Composição da palavra Ikebana:

Ike=Vida

Bana=flor

Flor viva; dar vida às flores

 

Materiais.

Para dar continuidade à tradição da arte Ikebana é importante que se trabalhe sempre com material original Ikebana. Assim não se afastará nunca o espírito e a filosofia da entrega na elaboração desta arte.*

 

 

Na galeria Daniel Constant

Antónia Gomes e Joaquim Durão

 

Com trabalhos bastante representativos, estiveram a expor na Galeria Daniel Constant, dirigida por Helena Ludovico, Antónia Gomes, natural do Porto e Joaquim Durão, natural de Vila Nova de Gaia.

Ambos apresentam uma carreira artística digna de registo.

Antónia Gomes distingue-se por um imaginário em que o social aparece como forma oculta de realidades que têm muito a ver com as problemáticas humanas do nosso tempo, justificando-se uma maior difusão da sua obra, pois cultiva valores de modernidade que não passam despercebidos ao observador mais atento.

De facto, estas aguarelas, além de denunciadoras, reflectem uma linguagem solta e um sentido de libertação que singulariza a obra da artista no seu tempo. Trata-se, no conjunto, de personagens humanas, envolvidas de mistério e de sofrimento, mas ao mesmo tempo ansiosas de uma intensa liberdade que afaste para sempre os mais ocultos constrangimentos.

Surge, assim, na sua obra uma fuga para a frente, em que a artista se revela desejosa de atravessar o portal da esperança.

Finalmente, Antónia Gomes, tem uma maneira muito peremptória de trabalhar a sua aguarela em que ressaltam planos e segmentos, reforçados de gestualismos espontâneos e certeiros, que conferem uma expressão pictórica livre e uma solidez quase abstracta às suas personagens.

Quanto a Joaquim Durão, mantém-se no caminho encantador e nuclear da sua paisagística contemplativa que regista ao pormenor a natureza e a paisagem urbana num entendimento estilístico que já faz parte da sua pintura, quer a óleo quer a aguarela.

O «entardecer», por exemplo, é já uma obra de antologia em que o artista põe à prova a sua esclarecida técnica, o seu saber oficinal e a sua apurada sensibilidade, quando o ser humano é conjugado com a paisagem.

Quanto ao espaço pictórico, principalmente nos motivos paisagísticos, revela uma perspectiva perfeccionista, organizada em solidez no tratamento a óleo, e de naturalismo mais sóbrio, mas, por vezes muito intenso, no tratamento da aguarela o que é de facto uma técnica muito difícil, sobretudo, quando se alicerça em cristalizados pormenores. É, na verdade, o estilo perfeccionista de Joaquim Durão que fala ao nosso entendimento plástico. Aquele naturalista pleno que nos surpreende, por vezes, com uma obra verdadeiramente magistral, como é o caso do trabalho a óleo já citado.*

 

 

Orlando Silva

O pintor dos diálogos no silêncio

 

O pintor Orlando Silva cultiva no mundo da arte valores que não são comuns. Valores que não estão ligados a qualquer escola e que fazem parte da criatividade do próprio artista.

Na última exposição que fez, o semanário «A Voz de Trás-os-Montes» escreve: «Os quadros expostos afirmam-se pela elegância, denotando uma pintura quase abstracta e conduzindo os observadores a um desfrute sensorial bastante amplo (...)»

Estamos assim perante um pintor abstracto que soube criar o seu próprio mundo, marcado de diálogos interiores, de silêncios e de uma certa cosmologia, valores que nos encantam pela sua originalidade, pela sua feição geométrica e, sobretudo, pelo seu cromatismo e teores lumínicos.

Orlando Silva é, portanto, um artista plástico que nada tem a ver com a escola e que descobriu as suas técnicas, as suas potencialidades formais e também as suas aspirações substanciais em função de uma prática experimental que o situou na descoberta de um mundo novo, ou seja, aquele que faz parte do seu próprio ser.    

Estas características por si só são factores de estímulo e de importância estética que caracterizam os percursos anteriormente cumpridos, passo a passo, até a atingir o pleno da pesquisa e da experiência, numa constância que consagra a estrutura de um certo maravilhoso cromático e de uma eloquente composição geométrica, onde se respira o silêncio dos seus diálogos com o Ser cosmológico.

Orlando Silva iniciou-se na pintura em 1998, possui o seu atelier em Vila Pouca de Aguiar e em Vila Nova de Gaia. É membro fundador da Associação “Amigos das Artes de Trás-os-Montes e Alto Douro”, entre outras instituições.*

 

 * Leia mais na edição 49

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